Congresso da ANPH
(Londrina. Pr)
Mércia Pinto.
Inotrodução
Esta
comunicação faz a etnografia da Festa do Divino
Espírito Santo, festividade
tradicional de Planaltina, município a 40 km da capital do Brasil.
Muitos anos quase esquecida, a comemoração volta a ser lembrada em 1972, em
função da participação de jovens numa gincana
promovida pelo colégio local onde de o objetivo geral era despertar o
interesse dos mesmos pela história da cidade[i].
Uma das tarefas era saber como se davam antigamente, as festividades em
homenagem ao Divino Espírito Santo.
Em 1973, foi feita uma primeira demonstração pública de como se realizava o
rito. Daí em diante o interesse pelo
evento aumenta a cada ano e revigora-se com o apoio das famílias locais, ao ser
eleito por voto direto o primeiro governador do DF (1989-94).
A festa
O
primeiro contato pesquisadora x fenômeno deu-se em maio de 1998, quando fazia
os primeiros contatos com a comunidade para conhecer os fazeres musicais do DF.
Em 2005, as referências e coletas de dados foram intensificados e atualizadas
em função de uma pesquisa mais estruturada. Tendo como ápice Pentecostes (data
religiosa comemorada 7 semanas após o domingo de Páscoa), as homenagens ao Divino Espírito Santo são bastante
populares na região centro-oeste. É a festa de um imperador (criança ou
adulto), sua corte de auxiliares e os homenageados (Foliões de rua e da roça,
Imperadores e guias de Folia) que dão suporte econômico ao evento. Em nome do
imperador, duas folias saem para anunciar o rito. Uma vai a cavalo, com grupos
de homens que percorrem fazendas e arredores pedindo auxílio para a
comemoração. Herdeiros de antigas irmandades religiosas que tinham no Espírito Santo o padroeiro, cavaleiros,
músicos e cantores carregam a bandeira-símbolo do Divino. A outra folia vai a pé, em procissão pelas ruas. Depois de
9 dias, uma missa, ponto alto das comemorações. Depois o cortejo - à frente o
imperador e seus auxiliares - segue visitando casas. Em atitudes de
generosidade e submissão ao Espírito
Santo, os donos das casas lhes oferecem farta refeição matinal. Para
completar a festa, a benção das bandeiras e as duas folias se juntam num grande
banquete, engrandecido pelas doações recolhidas nas peregrinações.
A Festa
do Divino naquela cidade, como em muitas do Brasil, é festival de
abundância, oportunidade em que o povo expõe e consome produtos do seu trabalho[ii].
É preciso que haja fogos, muita comida, procissão, leilões de prendas. Na
religiosidade popular, o Espírito Santo é sabedoria, guia, leme e fio condutor
da vida, além de mistério. É força benéfica e simbólica da fertilidade[iii].
A bandeira vermelha com a pomba branca, um de seus ícones mais conhecidos, é o
centro do cerimonial. É beijada e venerada. Visita as casas e somente pode sair
delas por onde entrou. Por devoção ao Divino
Espírito Santo muito se exagera na alegria de dar, receber ou retribuir[iv].
Observe-se quão sugestiva é a figura do
imperador. A reafirmação anual de seu império, a submissão à igreja e o apagar
de seus vestígios transferindo a outro o poder podem ser vistos como alusão à
continuidade da vida que se eterniza pela procriação dos que sobrevivem à morte
(Etzel:1995, p. 81). Além disso, a música. É preciso haver música. Sem música,
uma festa não tem vida!
No
trabalho de observação percebeu-se como e quando cada gênero musical era
executado e como se relacionavam com o todo. Na folia da cidade, já de
madrugada os fogos ecoaram. Às 7h da manhã a procissão já se organizara. Hinos
e canções lentas executadas pela banda de música davam sentido ao cortejo que
seguia também lentamente pelas ruas do centro histórico em direção à igreja de
São Sebastião, a mais antiga da cidade. A missa tem a participação de todos.
Interessante notar que os componentes da banda acomodam-se para assisti-la,
deixando a função musical da cerimônia para um conjunto de duas guitarras,
teclado, duas vozes femininas que faziam o vocal, o padre, iniciava as músicas
e as cantava junto com as moças. Em 2005, já acrescentaram um coral cantando a
4 vozes, prova de maior elaboração do cerimonial e utilização dos recursos
artísticos da comunidade.
Um repertório musical diferenciado
passa a ser executado. Canções de conteúdo religioso com ritmos à moda dos anos
60 e 70, sucesso do ie-iê-iê entre os jovens. Os presentes saem em peregrinação,
à frente o imperador, e a bandeira do Divino
abençoando casas e doentes, enquanto lhes servem café com produtos da
terra. A banda de música coloca-se entre o séquito do imperador e o povo,
retomando seu papel de liderança. Um terceiro tipo de repertório domina
musicalmente o momento: marchas, árias de ópera, valsas, dobrados e maxixes,
característicos do tipo de conjunto musical.
Na peregrinação, à proporção que o
cortejo se distancia do centro histórico, a banda é substituída por outro
instrumental; um trio elétrico. Em cima do caminhão de som estão alguns
jovens que haviam participado da missa.
Suas atitudes assemelham-se às dos modernos ídolos da canção religiosa no
Brasil, com coreografias e exortações. Além de tentarem equilibrar-se no carro,
dizem mensagens de regozijo que são repetidas pelas pessoas[v].
Às 13h a procissão chega à praça da igreja matriz e encontra-se com os
cavaleiros que vem do campo e tem participado das peregrinações nas
fazendas. Nesse “giro”, a cada fazenda
aumenta o número de cavaleiros. Chegam à tardinha, em cortejo, com sua
bandeira, que é anunciada por um tambor executado por um músico do grupo. Ao
som do estilo típico da região, as violas acompanham peditórios, rezas e
bênçãos. É servido um jantar para todos.
Depois disso as danças (catira, curraleira e forró) e a “pinga” dão o toque
profano ao ambiente. Pela manhã tomam café e rumam para outro pouso, fazendo o
mesmo ritual até o nono dia quando chegam à cidade. Vestidos à moda dos cowboys
americanos, galopam pelas ruas se anunciando. No meio de uma grande praça cheia
de barracas enfeitadas, acontece a benção das bandeiras e depois o tradicional
banquete. A quantidade e a intensidade
dos eventos se multiplica a cada ano. À tarde, uma missa une novamente a
população. À noite, a praça atrai as
duplas caipiras profissionais que têm público nas redondezas.
Analisando o ritual, pode-se dizer que
é cumprido para garantir a participação de todos. A arena de sua ação
espalhava-se com as folias, a procissão e a missa ao ar livre, o café da manhã
generoso e o banquete. Pareciam pensados para neutralizar as barreiras entre os
excluídos. Um olhar mais avisado detecta que a participação tem diferentes
níveis. À proporção que se observam os detalhes, as interações descortinam a verdade.
Somente algumas dezenas de pessoas têm acesso às residências. Os donos da casa,
o imperador e seu séquito e os convidados especiais são preferenciais. Mesmo
que as comidas circulem entre os que não tiveram acesso ao altar do Divino, armado no interior das casas com
mesas postas, os menos conhecidos ficam num outro círculo de vivência; do lado
de fora, à espera das guloseimas servidas em bandejas. Existe outro círculo de
participação mais afastado do imperador, obviamente marginal em relação ao centro
político e eclesiástico do evento. São pessoas que embora exteriorizem uma
atitude religiosa, vêm apenas para se alimentar e levar para casa o que
conseguem. O imperador não pode ser um qualquer. A escolha revela alguém de
poder aquisitivo e influência política, para "bancar as despesas. Quanto
mais dinheiro der, maior o sucesso da festa. Na prática, há muita disputa
política entre os indicados a ocupar o cargo, porque a cidade recebe anualmente
uma verba destinada à organização do evento. Relevante lembrar que embora no
sábado as folias da cidade e da roça se encontrem, é no domingo que
oficialmente se celebra Pentecostes, dia em que a folia da Roça tem seu ápice
Os estilos musicais da festa, os
diferentes conjuntos que se exibiram intrigaram os observadores.
Independentemente dos motivos práticos que estavam por trás de tanta
diversidade[vi],
os repertórios pareciam bricolagem de diferentes estilos e gêneros musicais. A
história da formação da cidade, sua inserção no Distrito Federal e sua condição
de cidade-satélite[vii]
pode esclarecer muita coisa.
A cidade
Planaltina e outras localidades
(mineiras e do sul goiano) viveram o apogeu no século XVIII. Inserem-se no
contexto brasileiro pós-mineração, que tem bases na agricultura e na pecuária
como estruturadoras da economia. Originalmente, Planaltina apresentava
configuração rural constituída de pequenas propriedades, gado e agricultura de
subsistência[viii].
Interessante a saga do início de seu núcleo urbano, estruturado na construção
de uma igreja. Em 1811, assolados por uma epidemia, os fazendeiros fizeram
promessa de doar terras para se construir uma capela devotada a São Sebastião,
em troca do restabelecimento da saúde de seus habitantes[ix].
No século XIX, as fazendas de gado nos
arredores do pequeno núcleo em torno da igreja faziam da exportação do charque
e do beneficiamento do couro as principais fontes de renda. A tradição oral
conta que em 1926 a população voltou a ser ameaçada. Quarenta dias de chuva
fecharam as empresas de curtume e charque e geraram desemprego. A maioria dos
habitantes se deslocou novamente para o campo. A cidade entrou em letargia. Nem
mesmo a construção de Goiânia trouxe reflexos de desenvolvimento. As precárias
estradas que se dirigiam à nova capital de Goiás sequer passavam por Planaltina,
contribuindo para a imagem de um lugar perdido no planalto, sem ligações com o
progresso.
Em meio à década de 50, incluiu-se
Planaltina na delimitação do quadrilátero que abrigaria o novo Distrito Federal[x],
com conseqüências eminentemente administrativas. Brasília trouxe poucas
mudanças ao território de 5.814km2 destinado à construção da capital
da República. Incorporou à sua jurisdição municípios que pertenciam a Goiás.
Arraigados a estruturas rurais e isoladas de Goiânia, lidaram com o progresso
urbano imposto pela construção de Brasília. Concebida sob parâmetros da
arquitetura modernista para centro administrativo brasileiro, a nova capital
dirige-se para o progresso e para uma sociedade construída em moldes europeus
com conotações de desenvolvimento. A negação dos princípios artísticos e
históricos que a precederam, somada à intenção política do desbravamento e à
idéia de modernização, deixou nas populações preexistentes do Distrito Federal
(DF) a imagem de que a ocupação urbana da região começa com a construção da
cidade, nos anos 60.
Na década pós-inauguração de Brasília,
os incentivos dirigiam-se às cidades que cresciam perto do Plano Piloto. As de
herança goiana permaneciam recolhidas em estruturas oligárquicas e quase nenhum
investimento receberam até que o fluxo migratório da expectativa de emprego que
Brasília gerava fez surgir inúmeros agrupamentos humanos marginalizados que
constituíram problema econômico e social, conduzindo-a à necessidade de
expansão do seu núcleo inicial.
Não amplamente estudada até hoje,
sentia-se sua força de pólo irradiador de religião, educação e justiça para as
localidades rurais que foram incorporadas à sua área não só na construção de
moradias que imitam as linhas arrojadas de ministérios e palácios, como também
no imaginário criado de desejar ser moderno como a capital. Ao se tomar por
referência a imagem de desenvolvimento e progresso da sede do governo,
relegou-se a memória das cidades goianas como se a história se escrevesse a
partir de Brasília. A visão contemporânea que prevalece na metrópole de
assimilação capitalista redefine o mapa simbólico da região.
Em 1966 foi elaborado um plano de
urbanização para orientar o crescimento de Planaltina à condição de
cidade-satélite de Brasília. Objetivava uma vila modernizada que atendesse às
exigências dos tempos. Apesar de seguir a arquitetura modernista, o plano
protegia o núcleo original com casas de adobe, estrutura de madeira e telha de
cerâmica. A Planaltina de herança goiana agregava a si o tecido urbano moderno,
com áreas diferenciadas destinadas a comércio, residências e a um centro de
vivência como coração da cidade.
Na prática, a união entre o tecido
urbano de herança goiana e a nova proposta representaram desagregação social e
desvalorização da cultura preexistente à construção da capital, segregando seu
núcleo antigo e criando a idéia de que representa vestígios de um passado que a
população quer esquecer. No plano diretor de 1966 se distinguem raízes goianas
e a nova cultura que se propunha seguir, construindo-lhes a memória com base
nas referências históricas pós-Brasília. Isto se traduz na segregação dos
setores: de um lado, poucas famílias mantêm suas tradições como símbolo de
poder; de outro, tentativas de modernização e crescimento do novo setor nos
modelos da classe média da capital.
Com distantes ligações culturais e
cronológicas com a antiga, os habitantes da parte nova de Planaltina associam
antigo a passado, sem significados de identidade. O desconhecimento da riqueza
material e espiritual da Planaltina antiga nega a história do centro-oeste como
nacionalmente relevante. Sabe-se que as Festas do Divino estiveram quase
desaparecidas dali por falta de interesse e apoio, sendo retomadas após a
eleição direta para governador do DF (1989-94), que trouxe de volta a
oligarquia goiana ao poder[xi].
O evento, celebração essencial da vida religiosa da comunidade, momento de
ressignificação da vida, torna-se campo de manipulação política e religiosa. A
cada ano, chama a atenção a quantidade de camisetas e bonés com as cores do Divino (vermelho e branco), patrocinadas
por famílias e políticos locais, como se ao evento outras intenções fossem
acrescentadas, legitimando os propósitos de um representante das famílias como
recurso próprio de lideranças políticas brasileiras. O repertório de sinais que
legitimam governos em projetos de inserção na modernidade inclui manifestações
populares operando, selecionando, transpondo fatos e traços conforme suas
escolhas. As cidades ao redor da capital federal não são exceção. Nos dois dias
principais (sábado e domingo), estiveram presentes à festa, os quatro possíveis
candidatos a governador do D.F. e muitos outros políticos numa demonstração de
que ali não deixava de ser uma ocasião para contatos políticos.
A nova administração da capital federal
adota também a política de atração das populações de outras regiões, provocando
o adensamento urbano desorganizado. Planaltina viu mais uma vez aumentar sua
população e serem criados bairros populares e grupos humanos excluídos de
participação social[xii]
No sertor tradicional há uma população de raízes goianas que não reconhece as
manifestaç[xiii].
No setor tradicional há uma população com raízes goianas que não reconhece as
manifestações da Planaltina candanga. Seu passado colonial reflete a herança
goiana, lugar onde sobrevivem seus modelos simbólicos e estéticos, patrimônio
da comunidade. São testemunho do passado que sobreviveu às mudanças.
Nas novas áreas construídas, a idéia de
preservação tem gerado sentimentos de hostilidade. No primeiro ano de trabalho,
notou-se uma só procissão chegar à praça da igreja mais antiga para assistir à
missa. No segundo, perto da igreja mais antiga havia dois grupos que esperavam
em ruas perpendiculares. Eram fiéis moradores dos dois setores mais modernos
que esperavam o momento de se juntar ao cortejo. Na festa de 2000, está mais
diferenciado e dividido. Três imperadores escolhidos geram três cortejos, três
bandas de música, três trios elétricos que caminham por diferentes pontos da
cidade. Em 2005, como foram ampliadas o número de paróquias na cidade, cada uma
teve sua folia.
A imagem de comunidade unida, solidária
e poderosa só foi lembrada na visível invenção de um ritual espetacularizado
com as bandeiras das procissões se encontrando e sendo abençoadas em frente à
matriz, junto a oitocentos cavaleiros. Na praça, a ostensiva presença dos
representantes das oligarquias locais, com trajes caros e filmadoras,
demonstram o interesse atual pela cultura do povo, transformando-a em lazer,
bem de consumo. O ambiente torna-se cerimonial, reproduz o rito, o sentido da
legitimação. Os sujeitos que selecionam esses patrimônios conhecem a atração
que o espetacular exerce sobre o público. Apesar dos imperadores e festeiros
que organizam a cerimônia, políticos e padres decidem o que deve permanecer ou
inventar como tradição, para alimentar as motivações religiosas da comunidade.
Numa cerimônia noturna, a escolha dos novos imperadores encerra a festa.
Ouve-se o ruído da grande satisfação popular, a estetização do show da
fertilidade. O distanciamento entre si faz - dos participantes - espectadores
do seu próprio espetáculo. O encanto se desfaz e cada grupo vai a seu banquete.
Conclusão
A Festa do Divino, de Planaltina,
ilustra a complexa inserção do patrimônio tradicional nas nações modernas.
Envolve elementos religiosos, seculares, que se combinam. Reúne trabalhadores
rurais dispersos em espaço urbano oposto ao de seu cotidiano.
Caracteristicamente, porém, pretende reconciliar a cidade e seu entorno, com o
seu contraditório sistema de valores, na tentativa de reencantar o mundo, na
utopia da volta a um passado mais tolerável, à síntese de momentos relevantes
da história goiana, que tem a revivência de uma época considerada de ouro. Se
em Portugal do sec. XVI comemorava-se o futuro, em Planaltina comemora-se o
passado no presente.
O retorno ao tradicional agride a
modernidade, é recurso para suportar contradições e pretensos benefícios da
contemporaneidade. A forte influencia de novos signos que migram da sociedade
moderna para o campo e a periferia,
através dos meios de comunicação de massa, formam novos signos híbridos. Revela
o que a população tenta esquecer, em ocasião para juntar-se e criar forte
imagem de solidariedade. Na tensão entre tradicional e recente, monumentaliza e
exubera. Vindas de diferentes setores para a praça moderna, as procissões são
metáforas da história planaltinense e de seus conflitos, em que cada parte e
cada grupo se festejam. As famílias das oligarquias locais orgulham-se de
retomar o poder e se postam à frente do cortejo. A multiplicidade de gêneros
musicais prova como a população articula sua imagem de cidade. A estratégia
discursiva do padre, sua teatralização e a reinvenção de ritos[xiv]
mostram o tradicional misturado à cultura capitalista, reincorporando ao discurso
tecnologias tradicionais e modernas.
Na missa, a música executada é
sugestiva, a que circulava por igrejas brasileiras nas décadas de 60 e 70,
quando João XXIII e o Concílio Vaticano II propuseram reformar a liturgia
católica. O iê-iê-iê dominava o mercado brasileiro, e acontecia a primeira
missa em português com música de fundo no estilo Jovem Guarda[xv].
Tudo pós-Brasília, quando Planaltina recebia fluxos de modernidade de um plano
diretor que regulava espaços e promovia qualidade de vida para a classe média.
Mencione-se a transformação de detalhes do evento hoje. Em função do alcance dos programas de música
e dança country na TV, na folia a cavalo se vêem cavaleiros com camisas
quadriculadas, jeans, botas, lenços e chapéus americano e um trio elétrico que
mescla religiosidade popular a música axé. O incremento da comunicação além dos
limites culturais desmantela velhas formas de marginalização e dominação e cria
formas de democratização e multiplicidade cultural. O banquete, satisfação das
necessidades instintivas, deixa o vazio da convivência não cumprida.
[i] Dois grupos de jovens participaram da
gincana.
[ii] Comemoração chegada ao Brasil no sec.
XVI (Cascudo-1954), logo inserida no calendário religioso da colônia.
[iii] Agostinho Silva, historiador
portugues, afirma que a Festa do Divino, e evento que dão os portugueses para
afirmar e comemorar o futuro. É metáfora de como será, na altura em que houver
no mundo a idade do Espírito Santo.
[iv] Ainda sobre essa festa em Portugal,
Agostinho da Silva esclarece que um menino era coroado como imperador do mundo,
porque acreditava-se que no tempo do Espírito Santo, um menino iria dirigir o
mundo. Para homenagea-lo dava-se um banquete gratuito para todos. Em seguida o
imperador se dirigia com sua comitiva á cadeia da terra e soltava todos os
presos, pois no futuro, além de pureza e honestidade, comida para todos, os
crimes desapareceriam.
[v] Alegria! Alegria! O Divino é o meu
gruia!
[vi] O descanso dos grupos musicais, por
exemplo.
[vii] Cidade-satélite são núcleos urbanos
que se formaram ao redor do centro administrativo do D.F
[viii] Segundo a tradição, seu núcleo
formador data de 1740, quando se fixou à beira de um riacho um ferreiro
descendente de bandeirantes, vindo de uma mina nos arredores e perito em
conserto e manuseio de armas. Daí a denominação de Mestra D’armas. Nos
arredores da cidade, ainda hoje existe um marco e uma escola com este nome.
[ix] Planaltina esteve sob a jurisdição de
Luziânia. Passou à categoria de município em 1891. Seus primeiros registros de
conformação urbana datam de 1892, com a vinda da Comissão Cruls, responsável pela demarcação da área onde seria
implantada Brasília. A comissão que utilizou Planaltina para pesquisas,
hospedou-se onde hoje é a sede do Museo Histórico.
[x] Em 1945, retomada a idéia da capital federal
no interior do país, a cidade hospedou nova comissão (Poli Coelho), que confirmou a localização determinada pela comissão
anteriror. Em 1955 delimitou-se o terreno do D.F. que abrangeu quase toda a
extensão de Planaltina. A parte de Goiás é conhecida como Brasilinha.
[xi] Em janeiro de 2002, esse governante
volta ao poder apresentando o desejo de contentar e abranger todos os setores
da cidade, apropriando-se de tradições populares, chegando-se a grupos religiosos conservadores.
[xii] Planaltina tem hoje um dos maiores
índices de violência do D.F.
[xiii] Candango: designa os primeiros
operários da construção civil no D.F. Depois, os nascidos na capital.
[xiv] Relevante mencionar que a cada ano,
são reativados grupos religiosos (congregação mariana, mães cristãs, moços
católicos) e que se envolvem mais e mais com a festa.
[xv] Exceto a da Folia da Roça, a música
tocadas em todas as missas é retirada de livro: Louvemos ao Senhor (2 vols) Ed.
Associação do Senhor Jesus. Campinas S/P. Contém 1434 canções e na partitura é
anunciado também o CD onde está gravada a mesma. Entre os gêneros: rock,
balada, funk, valsa, country, pop, mas nenhum ritmo brasileiro.