quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Os Pastores de Belém: caminhos e descaminhos no Brasil.


Mércia Pinto[1].
                                      I
As festividades que originalmente revivem a jornada dos pastores a caminho de Belém para visitar Jesus Cristo e sua família[2] são conhecidas no Brasil como Pastoris, Bailes Pastoris, ou simplesmente Pastorinhas.  
A implantação desses ritos de origem europeia datam do século XVI como sinal das grandes mudanças impostas pelo poder lusitano e que tiveram nos jesuítas seu braço ideológico. O impulso religioso inicial, a associação de música, dança e texto na criação de seus enredos, a mistura de elementos cultos e populares como etos do estilo, e o caráter rapsódico do evento são aspectos que caracterizam os Pastoris brasileiros.

Reunimos companheiras,
que vem de todas nações.
Adorar o Deus Menino,
Para os nossos corações[3].

Como festividade popular, eles emergiram no século XIX acompanhando a diversidade dos grupos sociais resultantes do crescimento especialmente das cidades costeiras do Brasil.
Nessa época esse “divertimento familiar” era vivido diferentemente por cada grupo que se apresentava; mais rural e conservador para alguns ou mais cosmopolita para outros. Mais religioso para uns ou mais cômico para outros. Como acontecia com o Entrudo, as casas eram abertas para grupos indiferenciados, num gesto de confraternização e generosidade por parte das grandes famílias. Em frente ao Presépio armando nas salas de visitas, apresentavam-se tanto grupos de vizinhança que haviam preparado seus esquetes teatrais como procissões populares que se organizavam para cantar e dançar em louvor ao Menino Jesus e sua família. O conteúdo moral destes jogos teatrais eram ocasiões para o treinamento de como deveria comportar-se uma boa família. A intensa participação feminina mostra que aqueles momentos eram parte da sua educação sentimental. Levando em conta o tipo de sociedade em questão, eles representavam dois lados, o que pode ser lido como a ritualização da hierarquia patriarcal brasileira. Num nível geral, os Pastoris seriam o veículo pelo qual seus valores eram revelados A procissão popular alternando com os esquetes teatrais das classes altas, marca o espaço entre ricos e pobres, evidenciando naquela ocasião o ideário de cada grupo. A despeito do momento da festa da fraternidade, os Pastoris brasileiros refletem a imagem da grande família patriarcal.

                                      II

 O primeiro contato com os textos desses autos revela-nos alguns aspectos típicos do estilo literário que caracterizou a vida cultural do Brasil nos séculos XVI e XVII. Refiro-me ao estilo colonial e que abrange não somente a arquitetura, com suas igrejas e grandes sobrados, mas também literatura, teatro, decoração enfim, quase todas as artes. Sem querer travar uma grande discussão sobre suas dimensões estéticas e filosóficas devo dizer que este estilo, caracterizado pela exuberância e por sua pompa litúrgica, veio para o Brasil como eco das lutas religiosas entre católicos e protestantes, a disseminação do mercantilismo e o ciclo das grandes navegações.

Vimos a vos visitar,
bom menino, Deus eterno.
                            Vós nos quereis ajudar
Para poder escapar,
do grande fogo do inferno.

Eu também venho a dançar,
posto que sou pecador.
Mas não tenho o que vos dar,
porque não quero furtar,
o peixe do meu senhor.

Virgem Maria senhora,
vosso escravo quero ser,
e protesto de viver,
em vosso serviço,
agora e depois até morrer.[4]

Nesta pequena poesia já podemos identificar matrizes poéticas dos nossos Pastoris; a mistura de cantos e danças que caracterizaram o evento desde a sua chegada ao Brasil. O medo do inferno, a oferta de dádivas, o culto à Virgem Maria e sua família, o sentimento de culpa pela tentação de roubar o peixe no patrão são as imagens poéticas mais visíveis nestes versos. Baseado em grupos religiosos, especialmente os Jesuítas, o estilo colonial é reforçado pela riqueza de algumas famílias. Mais que um movimento estético, deixou profundas marcas na sociedade brasileira.

Ávila (1971) que estudou o fenômeno no Brasil, chegou à conclusão de que o mundo colonial vai além de um estilo. Ele molda toda a sociedade em suas primeiras matrizes. Foi exatamente esse estilo, esse tipo de sentimento analisado pelo autor que permitiu o aparecimento dos Pastoris como fenômeno cultural.  As festas (sagradas e profanas), os divertimentos públicos, o gosto pelas canções operáticas, as atividades teatrais (nas igrejas e ao ar livre), as procissões e os festivais são alguns dos aspectos sedimentados e refletidos nesses folguedos, especialmente nos seus enredos e personagens. Evocando o simbolismo da renovação e da fé, muito conhecido dos cristãos e exibidos pelos personagens desses pequenos dramas, os Pastoris apresentam uma multiplicidade de reinterpretações e modificações na memória e no sentimento religioso popular. Partes dos textos foram sumarizados, adaptados, ou expandidos, fazendo-os ao primeiro olhar, ininteligíveis e confusos.
Como trabalho artístico eles se apresentam como aquilo que Bosi (1992) classificou de “arte de fronteira” quando se refere aos trabalhos de Aleijadinho em Minas Gerais.  Reinterpretação da arte barroca europeia que chegou ao Brasil com atraso, as igrejas e as esculturas desse artista são trabalhos pessoais de uma típica figura brasileira.  Superposição de arte erudita e religiosidade popular, elas aparecem como resultado da mútua influência trazida pela colonização e nossa comparação com os Pastoris está ligada a esta visão, na qual a dramaticidade é ligada ao conflito, à luta entre o infiel e o cristão, entre duas concepções de vida, forçando à confrontação na resolução final da peça. Eles são concebidos numa linguagem laudatória na qual os enredos guardam o gosto pelo etos trágico.

Adorada senhora! O alfabeto dos teus seios
Unindo-se aos volumes de minh’alma,
faz com que a universidade do meu corpo
viva abrasada em duas chamas.

Eu que revendo o livro das razões,
segundo a confusão do teu querer,
achei na prosódia dos teus olhos
um amor que não posso entender.[5]

O ritmo é rápido, paixões crescem, ódios e batalhas desencadeiam-se, reinos são perdidos, em nome da fé assassinatos são cometidos. A configuração psicológica dos personagens não poderia estar isenta em tais enredos, esquematizando-os, intensificando-os com seus detalhes e cores contrastantes, exatamente como fazia Aleijadinho em suas esculturas.

Aos pés da liberdade geme e arqueja,
a vil escravidão, esta que outrora,
sedenta pretendia ser senhora
da doce liberdade que o mundo inveja.

Ó céus! Que sobre nós a Paz bafeja
da vitória, o troféu já nos arvora,
a servil levantar não ousa agora,
a caterva enfadonha enfim fraqueja[6].

Mesmo em textos mais recentes, os Pastoris refletem o mundo colonial. O uso da linguagem, a densidade, a expressividade, e a força catalística que ilumina a conformidade entre a verdade e a beleza são típicos reflexos desse tipo de imaginação.

                                               III

Alegorias, personagens mitológicos e reinos imaginários habitam o mundo dos Pastoris. Atmosfera bucólica e irreal e visão idealizada da vida são seus últimos invólucros.

Não! Ele não troca por um trono augusto,
a vida pastoril, vida sem custo.
Um paraíso de paz e tranquilidade,
onde não vigora a negra crueldade.

Quanto é belo ver a madrugada,
raiar no horizonte abrilhantada,
ver a aurora nascendo com mil cores,
no aromático cheiro de tantas flores.

Ver no oceano o sol brilhando
com seus discos dourados despontando,
ouvir o gorjeio, o canto que nos ninhos,
trinam os inocentes passarinhos.

Os Pastores correndo para os prados,
cada qual guiando o imenso gado.
Uns cantando vem com seus carrinhos,
outros guiando os cordeirinhos.

E assim vem nascendo o claro dia,
trazendo paz serena e alegria.
E quem trocará tão feliz sorte,
por um leito triste como a morte?[7]

Nesse mundo de utopia, destacam-se as figuras dos pastores e pastoras pregando a humildade, a simplicidade e o retorno à natureza. São os personagens mais frequentes desses pequenos autos e ocupam o maior espaço no evento. Mesmo quando a jornada para Belém não é explícita no texto, eles aparecem compondo a atmosfera campestre, dando individualidade e personalidade ao evento diferenciando-o das demais festividades brasileiras. São mulheres sem nome, cujo encanto se choca com a beleza das ninfas e das princesas dos enredos.

                            IV

Mas pastores são também entes migratórios. Suas atividades, além de favorecerem a contemplação, tem caráter de desterritorialização. Afinal, seguem seus rebanhos, não? No Brasil do século XX, eles deixam o cenário idílico do teatro pastoral, saem das casas e das igrejas e tomam novos caminhos. Tentando identifica-los podemos dizer que a carnavalização e a erotização dessas figuras é evidente.

As quatro hora da manhã,
quando vem rompendo a aurora.
Os anjos cantam no céu,
e as pastorinhas vão embora.

Com saudades, eu me retiro.
Eu não vim para ficar.
As moças são deliciosas,
lindas e formosas,
belas como a aurora.[8]

Seu vestuário parece expressar essas mudanças. Antes se vestindo de branco, com meias longas, chapéu de palha com fitas, tendo nas mãos tamborins, castanholas ou lanternas[9], as pastoras passam a expressar novos valores. As roupas curtas evidenciam as pernas, fazem sobressair os seios e salientam a cintura.  Seus corpos sensuais já se movimentam de modo carnavalesco, sem muita relação com a realidade pastoral ou a ambiência rural[10]. A dramaticidade passa a ser muito mais concentrada na aparência do que nas palavras ou enredos. O pastor assume o papel de “compère” [11]. Na maioria das vezes é um personagem cansado e envelhecido que diz piadas, apaixona-se por uma das pastoras e é ridicularizado pelo grupo. Seu cajado, antes simbolizando as virtudes patriarcais, passa a ter conotação sexual.

                            Gente toda dê caminho,
que o velhinho vai pra Belém.
                            Hoje é dia de folgança
e o velhinho quer folgar também.[12]

A música dos Villancicos religiosos e ingênuos é substituída pelas polkas, valsas ou maxixes com letras picantes e de duplo sentido. Afastando-se do modelo descrito anteriormente, o folguedo sobrevive na periferia das cidades. Como no Teatro de Revista, os esquetes teatrais desaparecem perdendo-se o fio condutor do enredo que evidencia o grupo de pastoras como figuras centrais do espetáculo. Na vida real, o velho pastor pode se apresentar como um palhaço e é o empresário daquelas mulheres que ganham seu sustento com as apresentações e os contatos feitos na hora da performance. A plateia, majoritariamente masculina, divide-se em torcidas: a do cordão azul e a do encarnado e disputam o grupo de pastoras vestidas nessas duas cores.[13] Em muitos estudos, encontramos interpretações deste personagem como tendo origem no teatro medieval. Ele seria a figura do demônio, muito comum nos autos religiosos e que também aparece em muitos textos de Pastoris brasileiros fazendo oposição ao Anjo. A linha divisória entre ele e um “bufão” é muito tênue. É criatura solitária, aparecendo na peça como um personagem mais experiente e que também quer ir a Belém. No entanto, com suas artimanhas de duplo sentido, estraga a atmosfera idílica e de inocência da jornada.

As implicações ideológicas dos Pastoris portanto, vão além daqueles momentos leves nas residências coloniais. Enquanto seus esquetes evidenciavam o estilo de vida e as aspirações das famílias, eles também permitiam aos homens estender a noite nas ruas, onde perdoados pela religião e reforçados pelo chauvinismo da sociedade, faziam uso sexual do corpo das mulheres, os mesmos que haviam dançado como pastoras em suas casas. Se nas reuniões domésticas a moralidade e a racionalidade eram mais relevantes, na ponta da rua o reverso disso conferia identidade ao entretenimento. Se em casa a Virgem Maria os abençoava, controlava sua sexualidade por meio de lições morais e congelava suas mulheres embaixo de suas vestes, nas ruas, esta hierarquia era vista de cabeça para baixo e a rotina era quebrada mostrando os dois lados da educação feminina e suas duas funções para os homens; escolher umas para casar e outras para o prazer. Neste sentido os Pastoris evidenciam os estereótipos que veem a mulher em termos de propriedade, discriminação e preconceito. São a projeção da lógica da relação dos gêneros.

V

Outro grupo de pastores tomou um rumo diferente. A industrialização e o Carnaval tiveram no nordeste suas especificidades. Apesar do esquema familiar e elitista do carnaval europeu ali implantado, muitos dos trabalhadores de baixa renda; vendedores de frutas, verduras, alfaiates, carvoeiros, costureiras, jornaleiros e outros profissionais urbanos também se juntavam em suas associações e participavam do desfile. É neste momento que inspirado nas jornadas dos pastoris emerge um gênero carnavalesco popular, com a banda de música fazendo a introdução e o coro feminino cantando o resto da canção.[14] Nelson Ferreira, em sua “Evocação nº 1” mostra bem essa assimilação do coro de pastoras ao frevo de bloco em Recife.

                                               VI

Vamos encontrar pastores (as) também no Centro-sul. A implantação do chamado “grande carnaval”, visto como divertimento da classe alta, corresponde ao desenvolvimento de um novo estilo de vida urbana, graças aos dividendos da indústria cafeeira. As políticas urbanas, a abolição da escravatura, a proclamação da república e a contribuição da massa de escravos recém-libertos que se deslocaram para essa região para trabalhar na emergente indústria do café, abriram outro caminho para a jornada dos pastores de Belém. Foi quando os ranchos natalinos constituídos por essa massa de trabalhadores passaram a se apresentar no “pequeno carnaval”. Desfilando calmamente nas ruas do Rio de Janeiro, ao som de suas Marchas de Rancho, as pastoras aparecem sendo assimiladas pelo samba, hoje gênero hegemônico do carnaval.

Acorda Escola de Samba, acorda!
Acorda que vem rompendo o dia.
Acorda, Escola de Samba, acorda.
 Salve as Pastoras e a bateria.

No morro quando vem rompendo o dia,
na  Escola também vem raiando o samba.
A pastora amanhece cantando,
E a turma desperta entoando,
um hino de harmonia.[15]


Os reinos imaginários, os seres mitológicos e as alegorias tão típicas dos antigos pastoris, agora fazem parte da nova configuração do carnaval. Mais ainda, as pastoras são mulheres que com sua cor e sensualidade desafiam os homens a trocar o cotidiano de suas vidas pela “utopia” dos três dias de folia[16].

                                               VII

A vinda do rádio mostra mais outra direção tomada por eles no Brasil. O impacto deste meio foi tão grande que no nordeste as emissoras de rádio sustentavam grande parte da audiência de seus programas de auditório com os Pastoris. O coro de pastoras e as cantoras locais faziam parte do seu elenco permanente e eram consideradas “ídolos” populares. “Pastora” passa então a ter a conotação de corista, espécie de “crooner” que fazia o pano de fundo das canções. Lembramos que na Rádio Iracema de Fortaleza, existiu um famoso trio chamado “Paulo Cirino e suas Pastoras”. Nas rádios do Rio de Janeiro, lembramos “Ataulfo Alves e suas Pastoras”. Outra característica relevante na evolução dessas figuras, é dada pela chegada do cinema, especialmente das produções da companhia “Atlântida”. Ela teve a maior importância na configuração dos modernos mitos femininos. Almejando atingir as classes trabalhadoras com seus filmes, usava muitos artistas do rádio como forma de fazê-los mais visíveis para seus fãs, visto que pelo rádio eles só poderiam ouvi-los. É nesse contexto que menciono a onda de filmes sobre o Carnaval e que começou com “Alô, alô Carnaval!” (1936) concretizando uma comunicação muito mais próxima entre os artistas e sua audiência. A famosa canção de Lamartine Babo cantada pelas irmãs, Carmem e Aurora Miranda neste filme, expressa bem este momento quando a identidade dos artistas do rádio começam a aparecer para seus fãs.

Nós somos as cantoras do Rádio,
Levamos a vida a cantar.
De noite embalamos seus sonhos,
de manhã nós vamos te acordar.

Nós somos as cantoras do Rádio,
nossas canções cruzando o espaço azul.
Vão reunindo, num grande abraço,
corações de norte a sul.

Pelos espaços afora,
Vou semeando cantigas,
Dando alegria a quem chora.
Pois sei que a minha canção
vai dissipar a tristeza,
que mora no teu coração.

Para te ver mais contente,
pois a ventura dos outros,
é a alegria da gente.
Eu sou feliz só assim,
E agora quero que cantes,
um pouquinho para mim.


A auto louvação e a autoconfiança de que preenchiam as fantasias masculinas são evidentes em todas as canções em que o coro feminino aparecia. Os reinos imaginários, a atmosfera bucólica e irreal dos antigos jogos teatrais, reaparece aqui de forma nostálgica nas imagens das belezas naturais do país com seu céu aberto. No fim o convite para cantarem juntos, como em muitas canções de pastoris da época.

A nossa mestra é um pé de ouro.
A contramestra sabe bem dançar.
Nossa Diana é um beija-flor,
que anda nos jardins beijando as rosas.

Eu peço licença aos senhores,
que todos nos prestem atenção.
Nós somos as pastoras da Lira,
que alegram vossos corações.[17]

Poucos anos mais tarde e usando um meio mais contemporâneo, o que dizer do “Programa do Chacrinha”, senão que reinterpreta um Pastoril com o Velho pastor e suas pastoras? Lembro finalmente que uma das últimas visões de pastores (as) em nossa cultura aconteceu na década de sessenta (1967). Era um grupo delas, voando a jato pelos céus, em companhia de um personagem estrangeiro. Nos primeiros versos de sua canção, percebia-se que a estrela que seguiam era brasileira e iluminava de norte a sul a mensagem de amor e paz do natal[18]. Celebradas em versos e prosa no imaginário popular, presentes no desfile de carnaval, no coro feminino de gêneros carnavalescos, na fantasia dos bailes e nos jingles, essas mulheres sem nome são encontradas estilizadas, deificadas, iconizadas como mulheres mestiças, padrão de beleza brasileira. Menos dissimuladas do que na sociedade colonial e mais assumidas numa sociedade mais liberal com relação à sexualidade, pastores e pastoras circulam no imaginário popular como um dos primeiros símbolos que a cultura judaico-cristã nos impôs. Como imagem, são canais privilegiados pela sua artificialidade e pelos quais se manifestam desejos e fantasias de ambos os sexos.[19].

A Estrela Dalva[20], no céu desponta.
E a lua anda tonta, com tamanho esplendor.
E as pastorinhas, pra consolo da Lua,
vão cantando na rua, lindos versos de amor
.................................................................
Linda pastora,
Morena, da cor de Madalena[21].
Tú não tens pena de mim
que sofro tanto pelo teu amor.
Linda criança,
tú não me sais da lembrança.
Meu coração não se cansa,
de tanto, tanto te amar [22]

Referências:
AVILA, Affonso. O Lúdico e as projeções do mundo barroco. São Paulo. Ed. Perspectiva. 1971.
____ Iniciação ao Barroco Mineiro. São Paulo. Editora Nobel. 1984.
BOSI, Alfredo. Dialética da Colonização. São Paulo. Companhia das Letras. 1992.
COSTA, Pereira da. Folclore Pernambucano. Rio de Janeiro. Publicação da Imprensa Nacional. 1908.
ECO, Humberto. Carnival. México. Editora Fondo de Cultura Econômica. 1984.
PINTO, Mércia. Pastoril, a History of a Brazilian Popular Musical Genre (tese de doutorado) University of Liverpool. 1997.
 SETTE, Mário. Maxambombas e Maracatús. Rio de Janeiro Livraria Casa do Estudante do Brasil. 1958..
SOUTO, Maior M. O Carnaval do Recife. Recife. Editora Massangana. 1991.










[1]  Este texto foi apresentado num congresso de história. Com o objetivo de torna-lo mais acessível ao leitor, fiz modificações retirando muitos exemplos, dados e citações típicas das exigências da academia. 
[2] Lukas. Cap. 2 vers. 8-18.
[3] In Pastoril da Cigana. (1966) Arraial Moura Brasil- Fortaleza-Ceará.
[4] Teatro de Anchieta. Auto da Pregação Universal. Escrito em 1561. Vol. III, p. 136.
[5] Baile do Meirinho (1902) in Serenatas e Saraus p. 78.
[6] Fala do personagem Despotismo in Baile do Despotismo, Paz, Guerra, Liberdade e união. In Serenatas e Saraus, p. 164.
[7] Baile do Príncipe. In Bailes Pastoris pp 53-54.
[8] Conhecida canção de Pastoril do nordeste do Brasil.
[9] Caribé, que ilustrou o livro Bailes Pastoris da Bahia fez belíssimos desenhos de antigas Pastoras com suas vestimentas e como estas se apresentavam em seus cortejos visitando casas e igrejas.
[10] In M. Sette.  (1958).
[11] Sobre a influência do Teatro de Revista nos Pastoris, ver Pinto, 1997.
[12] In Auto da Libertina. Lamas 1978. pp55.
[13] A tradição moderna das pastoras vestirem-se nessas duas cores pode ser entendida pela popularidade e disseminação especialmente no nordeste, de um antigo Baile Pastoril: o Baile do Partido azul e o do Encarnado onde havia a competição entre estes dois grupos. In. Bailes Pastoris da Bahia.
[14] Souto M. 1991.
[15] Letra de Herivelto Martins. As imagens poéticas desta canção são as mesmas da canção de Pastoril exemplificada na nota nº 8. Elas falam do romper da aurora, do raiar do dia, da disponibilidade e alegria das Pastoras.
[16] Ainda hoje existe o personagem de Pastora nos desfiles das escolas de samba.
[17] Canção de Pastoril.
[18]  Jingle da Varig. Criação de Caetano Zamma. Gravado por Clélia Simone e coro.
[19] As novas configurações das manifestações populares incrementadas pelas mídias e movimentos sociais não foram incluídas neste texto.
[20] Era um rancho popular que se apresentava nos carnavais de rua do Rio de Janeiro.
[21] Não esqueçamos de quem foi Madalena.
[22] Marcha Rancho de Noel Rosa e Braguinha.